segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um pequeno aperitivo...

Galera, desculpem a demora. Ando ocupado. Espero que tenham gostado do encontro sobre oração que tivemos Domingo retrasado. Segue o texto do panfleto que foi distribuído para quem perdeu ou não foi ao encontro.

Conhecendo Santo Inácio hoje!


Descendente da nobre família dos Loyola, Inácio nasceu em 1491, na região basca, localizada no norte da Espanha. Jovem e cheio de ideais, buscava as vaidades do mundo. Aos 27 anos, depois de ser gravemente ferido numa batalha, fez uma profunda experiência de Deus, que o leva a uma verdadeira conversão. Essa experiência ele nos deixou registrada nos chamados Exercícios Espirituais, que, desde então, serve de farol que ilumina o caminho de tanta gente, no encontro consigo mesmo e com Deus.
No ambiente universitário de Paris, orientando os Exercícios Espirituais para alguns estudantes, Inácio reuniu um grupo de “amigos no Senhor” com quem, em 1540, fundaria a Companhia de Jesus. Ao término de sua vida, em 1556, os jesuítas percorriam toda a Europa e já tinham chegado a lugares bem mais distantes: a Índia, o Brasil, o Japão...

Inácio foi um homem que tinha os pés no chão. O seu itinerário espiritual, longe de afastá-lo das pessoas, lançava-o de coração no mundo, nos conflitos da história e nos embates da vida onde deve acontecer o Reino de Deus.
Na busca constante do “mais”, do bem mais universal, da maior glória de Deus, Inácio foi tomado por uma grande paixão: levar o Evangelho a todas as pessoas, em todos os lugares. Essa grande paixão por Deus e pelo mundo ele nos comunica nos Exercícios Espirituais. Numa de suas contemplações, Inácio nos convida a nos juntarmos à Trindade, que vê a “aflição” e ouve os “clamores” da humanidade sofredora. Movido por grande compaixão, o Pai envia o Filho para salvar o mundo.
Sentindo a bondade de Deus em sua própria vida, Inácio não deseja outra coisa senão ser um “companheiro de Jesus”, ou seja, associar-se a Ele na missão de salvar a humanidade.
Hoje, no mundo que sofre os efeitos negativos da globalização, a paixão inaciana nos ajuda a perceber que, apesar dos grandes problemas e sofrimentos que afetam a humanidade, vale à pena empenhar-se na luta por um mundo mais alegre e feliz porque o amor e a vida são, em última instância, mais fortes e abundantes do que todo o mal do mundo. Nade de desânimo nem pessimismo. Vale à pena, sim, apostar na vida e ser um apaixonado pela humanidade. Colocar-se a serviço do próximo só faz bem e traz alegria. Você já pensou nisso?
Fé e vida se contrapõem? Trabalho não combina com oração?
Nem uma coisa nem outra. A espiritualidade inaciana nos ensina que podemos e devemos encontrar a Deus em todas as coisas! Eis aqui uma visão lúcida e otimista de Inácio sobre o mundo, a natureza, as pessoas e todas as coisas criadas.
Assim, alguém pode dar um bom testemunho de sua fé numa sala de aula, numa comunidade cristã que reza e trabalha unida, ou desfrutando de férias numa praia. O cristão, em qualquer realidade em que se encontre, seja na família ou no ambiente de trabalho, no campo científico ou na vida política, na esfera da cultura e no mundo dos negócios, pode aí encontrar a presença divina. Quando o amor habita nosso coração, nada é profano. A vida inteira se torna sagrada, o mundo todo se torna manifestação do amor de Deus. Rompe-se, portanto, todo dualismo que separa fé e vida, mundo material e vida espiritual, trabalho e oração.
Quanta aplicação pode-se fazer dessa intuição inaciana: o respeito à vida, a dignidade do trabalho, a participação na vida pública e na luta pelo bem comum, o respeito à natureza e a defesa da ecologia e muito mais.
Inácio viveu assim: nele conviviam harmoniosamente o místico e o homem de ação. Por isso dele se diz que foi um contemplativo na ação.
Inácio também foi uma pessoa de grandes desejos.
Quando jovem, desejava fama, sucesso e até o amor de uma mulher nobre. Depois da conversão, seu grande desejo era estar com Cristo e fazer tudo para a maior glória de Deus.
O desejo é uma coisa boa. Pena que a sociedade de hoje, consumista, não cultiva corretamente o desejo, mas o explora. Torna-o desenfreado. O desejo não é pecado. É bom, é vital. Mas deve ser orientado, através das criaturas, para seu verdadeiro fim, o Criador.
Para tanto, é preciso saber discernir e Inácio foi o grande mestre do discernimento.
Os Exercícios Espirituais nos ajudam a converter e educar nossos desejos, concentrando nossa vida em torno do desejo mais profundo: a liberdade plena, de uma vida capaz de um tudo amar e servir.

Um comentário:

Raphaela Radaeli disse...

Com certeza este nosso encontro foi muito especial até mesmo para refletirmos a respeito de qual espaço e como a oração está fazendo parte da nossa vida.

Que venhamos a dar continuidade a este processo de amadurecimento espiritual.

Abraços!
Paz e bem!

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